A modernização da frota de ônibus elétricos, veículos a biometano e modelos Euro VI na região metropolitana de Goiânia evitou 8.072,41 toneladas de CO2 equivalente por ano, segundo auditoria técnica inédita do Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade. O levantamento também estima economia anual de R$ 3,75 milhões na saúde pública com a melhora da qualidade do ar.
O estudo analisa a primeira fase do Projeto Nova RMTC, que substituiu 539 ônibus antigos, com padrão Euro III, por veículos mais modernos. Ao todo, a fase inicial incluiu 54 ônibus elétricos articulados, 3 veículos movidos a biometano e 477 unidades Euro VI.
Impacto ambiental da nova frota em Goiás
De acordo com o relatório, a mudança reduziu em 84,2% as emissões de óxidos de nitrogênio nos eixos estruturantes e corredores atendidos pelos veículos elétricos. Além disso, o material particulado caiu 79,4%, enquanto o consumo de diesel fóssil recuou 3,16 milhões de litros por ano.
O documento também destaca a redução de ruído superior a 75% nos corredores e eixos de BRT, o que melhora o conforto de passageiros e moradores. O levantamento relaciona esses resultados ao cenário do Cerrado, que enfrenta estiagem entre maio e setembro, baixa umidade e episódios de inversão térmica que dificultam a dispersão de poluentes.
Ônibus elétricos e biometano: projeção para 2027
Na avaliação da saúde pública, o estudo utilizou a metodologia Impact Pathway Approach (IPA), da Organização Mundial da Saúde (OMS). A análise apontou R$ 1,05 milhão de alívio direto ao Sistema Único de Saúde (SUS) e R$ 2,70 milhões em ganhos para a sociedade, somando R$ 3,75 milhões por ano em economia.
Para Miguel Angelo Pricinote, fundador do Mova-se Fórum de Mobilidade, os resultados vão além da troca de veículos. “A substituição tecnológica da frota da RMTC não é apenas uma atualização de ativos operacionais. Trata-se de uma política pública integrada de saúde ambiental, transição energética justa e melhoria direta na eficiência tarifária do sistema metropolitano, mostrando que investir em mobilidade limpa é investir na vida e no bolso do cidadão”, destaca.
O fórum projeta que, até 2027, a frota contemplada chegará a 1.200 veículos, com 65 elétricos articulados, 500 a biometano e 635 Euro VI. Com isso, a economia anual na saúde pública pode alcançar R$ 21,94 milhões, consolidando a Grande Goiânia como referência em transição energética e sustentabilidade urbana.